O Campo da Cegonheira

A Prof.ª Gracinda Vales, vermoense distinta e ferrenha guardiã da memória da Terra Vermudi, sabedora deste espaço, fez-me chegar uma pérola para que eu a partilhasse por aqui: a notícia da inauguração do Campo da Cegonheira.

Trata-se de uma crónica desportiva que é um luxo. Escrita com uma categoria e domínio – quer da língua, quer da técnica e tática do foot-ball –  que há muito anda, desgraçadamente, arredada da imprensa desportiva. A adjectivação que adorna a descrição, sem beliscar o rigor dos factos, não é para qualquer escrevinhador. Uma delícia de ler.

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O Foot-Ball Club do Porto e Vermoim, perante uma multidão impressionante de 1 000 pessoas, perdeu 3-1 com o União. Apesar de jogar melhor, “a falta de ligação na sua linha de ataque e a infelicidade no remate, não permitiu que marcassem «goals»” . O mesmo será dizer que, tal como agora, imperava a falta de habilidade no “último terço do terreno”. Os do União, finos, aproveitaram a cerimónia dos nossos na hora do remate e na 2ª parte enfiaram “mais dois pontos”.

Ao contrário do que acontece hoje em dia, o árbitro teve direito a ser tratado por Senhor. Apesar de, numa decisão que que tinha tudo para ser polémica mas que a final todos reconheceram como justa, ter terminado o jogo aos 15 minutos da 2ª parte “por já ser de noite”

O bode expiatório da derrota foi o defesa esquerdo Américo, rapaz de natureza distraída, que pecou por não vigiar a ala direita contrária. Todos os outros “estiveram simplesmente formidáveis”.

A bandeira apresentada, essa era “linda e luxuosa”, das melhores coisinhas que por aqui se tem visto.

El comandante

Toda a gente ficou muito tocada pelo discurso do Bastonário na Abertura do Ano Judicial. A denúncia, a coragem, o Ary dos Santos, o sound byte e tal – a espuma dos dias, tudo como dantes: quartel general em Abrantes.
Sintomático porém, é que nenhuma referência tenha sido feita ao discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Eu que ia a ouvir no carro, fiquei tão acagaçado que ia tendo um acidente. O homem ia debitando os seus vínculos ideológicos e, de repente, citou Boaventura Sousa Santos. Safa!

Jaime Neves

Morreu Jaime Neves. Todos os dias morre gente que não conhecemos ou conhecemos mal. É a vida.
Mas Jaime Neves merece muito o meu respeito.

Não sei se era boa ou má pessoa; se tinha padrões morais elevados ou se, pelo contrário, no quotidiano devia muito ao carácter. Porém sei que, num período conturbado da História de Portugal, com alguma dose de coragem física e moral, cumpriu o seu dever e voltou para casa, como se nada fosse. Outros, por bem menos (alguns até por nada), passaram a ser os donos da História e cobradores de fraque da nossa gratidão eterna, que cavalgam até à exaustão. Essa é a desgraçada regra portuguesa.

Foi essa humildade consciente de que o cumprimento do dever é o mínimo que se exige a qualquer indivíduo, que fez de Jaime Neves um herói.

Ainda bem para nós que toda a regra tem uma excepção.

Meia Maratona? Pffff…

Pois saibam Vossas Enselências que corri (melhor: nadei, tanta era a chuva) a Meia Maratona Manuela Machado, de Viana do Castelo, que foi a minha estreia na distância. Resolvi a coisa em 1h41m49s, porque já se fazia tarde para o almoço. Não obstante adoptei um ritmo conservador, por causa de uma moça que ia à minha frente e não me deixava ultrapassá-la, tal qualidade anatómica do seu tardoz. Estou convencido que é capaz de ter sido feitiço. Não fosse isso e eu era menino para ter feito praí 1h41m e 44s.

De maneiras que a Meia Maratona não se revelou desafio à minha altura. Talvez faça a próxima às arrecuas, para introduzir algum elemento de dificuldade.